PROSAS EM VERSOS

SER POETA, É SENTIR AFLORAR DA PELE SENSIBILIDADE, É OUVIR O GRITO DOS QUE NADA DISSERAM, É VER POR UMA GAMA DE CORES INVISÍVEIS À MACROSCÓPICA VISÃO DOS INSENSÍVEIS, É PENETRAR IMPIEDOSAMENTE À ALMA HUMANA.

domingo, 1 de abril de 2012

Rosas Vermelhas



Ereni Wink



Como tecidos bordados por hábeis mãos
São as rosas vermelhas plantadas no meu jardim
Suas pétalas caem e se espalham pelo chão
Prenúncio de um grande amor que chegaria ao fim

Piso nesse carpete vermelho
Das mesmas rosas que murcharam
Esfarrapadas, perdendo a cor, o cheiro
Que outrora minhas lágrimas as orvalharam.

Voltam a eflorescer e aos poucos desabrocham
Sobre os espinhos crivados na dor da incerteza
Os meus olhos tímidos e imersos miram
Encantados pelo ciclo próprio da natureza.

Voltastes, oh! Minhas tão esperadas rosas vermelhas
Devolvestes-me a vida, trouxestes-me a esperança
Deveras ao meu imo, envolto por centelhas.

Como as rosas morro, nasço, e sobrevivo de ilusão
Perdido entre os mais distantes arbustos de refúgio
Rosa! Onde estás?
Rosa... minha sublime paixão.

(Autoria: Antônio Dirceu)

Te Desejo


Jose Carlos Ribeiro



Sorrisos…Quando a tristeza invadir o seu coração.
Arco-Íris…Para você seguir as nuvens.
Risos…Que beijem os seus lábios.
Abraços…Quando a alegria não estiver contigo.
Amigos…Que iluminem o seu ser e o seu dia.
Beleza…Que teus olhos possam ver.
Confiança…Quando a dúvida aparecer.
Fé…Para que você acredite na sua força.
Coragem…Para conhecer a você mesmo.
Paciência…Para aceitar a realidade.
Amor…
Para você oferecer a todos em sua volta !!

 Desconheço o Autor

LUCINHA - Prosas do Tema = Ausência




Lúcinha Santos
Ausência




Fecho os olhos
e abro uma porta
Dentro dela tem uma luz
com um enorme quintal
Uma goiabeira, uma parreira
Uma casinha de cachorro
que mora um coelho
Uma menina em cima da arvore comendo
fruta verde
espiando com olhos vidrados a porta
Um balanço de pneu
Que era o cavalo, aquele do zorro
E as mãos de uma mãe
fazendo de tecido preto uma mascara
e uma capa, pra uma menina sapeca
De repente uma buzina
E a menina sai de cima da arvore
e corre pra frente de casa
E lá esta o pai de braços abertos
e a menina sai correndo e se pindura
naqueles braços cansados do trabalho
mas que sempre tiveram tempo e força
pra ela
Oque faz falta pra menina agora
é a ausência de pai e de mãe
Que por serem tão presentes
e por transformarem essa menina sapeca
no que ela é hoje
Que a ausência deles dói demais
faz falta demais 
E faz meu coração chorar toda
vez que me lembro dessa menina.
................Lú

JOSÉ CARLOS - Prosas do Tema = Ausência


Jose Carlos Ribeiro
A dor da tua ausência 



Tu que para o céu fosses viver
Tu que neste mundo chamado terra
Um dia me deixa-se sozinho
Hoje sinto muito a tua ausência
Mas estas sempre presente 
No meu coração eternamente
Hoje choro lagrimas de sangue
Suas ausência me sufoca,
Desperta sentimentos
Que não poderia descrever
Nem que tentasse.
Quando a lembrança me faz sorrir,
É você, que esta nos meus lábios
Não mais vai estar ausente 
Mas sim presente 
Eternamente no meu coração
Para todo o sempre
Tu e Eu...

J.C.R


LUCINHA - Prosas do Tema = Ausência





Lúcinha Santos
AUSÊNCIA





Ausência,
palavra dificil
de ser entendida
de ser sentida
machuca e destroi
corroi o coração que
fica vazio
sentido, aflito e sozinho
Ausência estranha
de um sentimento estranho
Como se sente ausência de algo
que nunca teve
Como sentir falta de um beijo,
de um abraço, um carinho
ou um contato
que não se teve
Como querer tá perto e sentir
um cheiro que nunca sentiu
uma mão que nunca segurou
Ausência de ti é um pouco de mim 
Pois a tua falta hoje eu entendi
por que essa ausência me sufoca
e angustia
Porque oque ta ausente em mim
e o que me faz falta é meu
coração que levou junto contigo

......................Lú

ERENI - Prosas do Tema = Ausência


Ereni Wink
Abandono



Ele chegou com o por do sol...de mansinho
Como um menino perdido 
Se refugiou no meu carinho

Ao som de valsas
Me deu aconchego
Me fez juras falsas

Me desarmou inteira,sobremaneira
Roubou meus beijos
Como uma fera sorrateira

Foi uma noite mágica
A luz de velas
E ao de valsas...mas eram falsas

Dormiu em meus braços
No calor dos meus abraços
E meu ombro foi o teu travesseiro

Pela manhã 
Ao despertar...
Foi meu desespero

Você se foi...
Bem devagarinho
Tal qual chegou...bem de mansinho.


Florianopolis 01/04/2012 Ereni Wink

FÁTIMA - Prosas do Tema = Ausência


Fátima Custódio
Aparição (a ausência) da mesma




As musas chegaram 
Estou inspirada,
Que me dirão elas hoje: 
Vou escutar!
Oiço coisas lindas,
Que vou fazer?
Escreve-las, 
Ou gritá-las para o mar?

As ondas 
Maçam-me os ouvidos,
A brisa faz-me confusão,
De olhos semicerrados 
Presos no horizonte
Espero talvez uma aparição.

E de repente
Oiço um barulho,
Os meus olhos 
Percorrem a areia,
Desiludida, 
Pois nada vi,
Ou pensaria eu 
Ver uma sereia?
Instantes depois 
Ouvi um sussurro,
O mar calou-se 
Como que embalado,
A brisa parou
fIquei alucinada,
E tu a sorrir,
Estavas a meu lado. 

Fátima Custódio

SALETE - Prosas do Tema = Ausência



Maria Salete Ariozi
NINHO VAZIO




Noites vazias, em meio às angústias que sinto,
Busco o sono que não chega, e aperta o peito.
Neste momento, é por meio de oração,
Que falo ao seu anjo, para te guiar e cuidar.
Proteção divina, que meu coração conforta.

E um novo dia a mim começa triste. 
Perambulo, em cada cômodo, onde te busco. 
Não o encontro, sofro, que sufoco !
De alguma forma tento, preencher o vazio,
Que insisti em habitar em mim.

Quanta Saudade... meu filho amado !
Abraço seu porta retrato e o beijo. 
Dele faço para mim, à sua companhia.
Olhando a sua imagem , converso,
Rio, choro, sou melancolia !

Nunca deixei descuidado o seu ninho.
Para que, você um dia dele partisse, 
Do ninho saísse, treinado o suficiente, 
Para bater suas asas, firme e forte,
Conquistasse seu vôo plenamente seguro.

Você é, sempre será à razão do meu existir.
Partiu sem ao menos, de mim se despedir.
No horizonte vislumbrou sua conquista,
Alçou seu vôo, meio incerto do rumo,
Buscou a direção certa e o caminho seguiu.

A sombra da sua permanente presença
Nunca deixará de existir e, me sinto feliz !
Seu jeito inocente, seu carinho, sua busca,
Muito me faz pensar, perceber e acreditar,
Que meu Garoto cresceu, e suas asas bateu.

Como um vaso de vidro quebrado, me vejo
A juntar os cacos, para meu inteiro compor.
Na aparência mantenho-me forte, e afirmo que,
Hoje das pétalas perfumadas da alma que caem, 
Num futuro em fragrância irá se transformar.

Hoje me consolo em saber, que partiste.
Do seu ninho saíste, Ausência embora triste, 
Seu futuro foi buscar. 
Voa... Voa... Voa ! passarinho !
Um dia sei vai voltar, que seja de passagem,
Por Saudade, seu ninho virá procurar.

((Salete))
01.04.2012

PATRICIA - Prosas do Tema - Ausência




Patricia Neme





Ausente de mim,
fujo dos silêncios
que minh’alma, exangue,
ousa sussurrar ao seu espírito.
Vago em meio 
à sinfonia dos sons
que preenchem os espaços
por entre as estrelas.
sobre as quais caminho.
A noite é um permanente
costurar de retalhos doridos,
sonhos lacerados
por despertares sem amanhecer.
Ausente de mim...
Já nem sei quem sou;
nem mais encontro você!

- Patricia Neme -


DAISI - Prosas do Tema = Ausência




Daisi Oliveira de Souza
Benditas ausências




As melhores lembranças que trago,
Foram de momentos de total ausência.
Ausência de palavras ...Somente sentimentos.
Ausência se amargura .... Somente doçura.
Ausência de violência .... Somente paz.
Ausência do desprezo....somente aconchego.
Ausência de mim....presença do Eu.
Ausência do barulho sem nexo das cidades
Somente o som suave da vida,
Na exuberante manifestação da natureza.
Neste cenário lúdico, resgatei a criança interior.
Encontrei meus melhores sentimentos e desejos
Estes, que deixarei quando não estiver mais presente.
Pois a energia não acaba, ela vibra, se expande,
Tal qual notas musicais causando sensações 
Viajando pelo vazio, alcançado os iguais
Que estarão de coração aberto 
Desfrutando dessas emoções.


ANIBAL - Prosas do Tema - Ausência




Aníbal Bastos
AUSÊNCIA




O ausente e o presente,
Serão oposto ou diferente?
Vejamos a realidade:
Usando os adjectivos,
Vamos encontrar motivos,
Que mostram uma igualdade!

Estar presente na falsidade,
É estar ausente da verdade!
E nestes termos desiguais,
Podemos ver acima de tudo,
Que diferente conteúdo,
Tem sentimentos iguais!

Assim também na poesia,
Tem de haver uma sintonia,
Entre o poeta e a musa?
Se o poeta quiser escrever
E se a musa não corresponder
A inspiração lhe recusa?

Este pensamento aberrante,
É uma ilusão contante,
De quem um dia julgou ser,
Minha musa de verdade!
Quando na realidade,
Trouxe-a comigo ao nascer!

Este ser imaginário,
Quando julgamos necessário,
Damos lhe o corpo de alguém!
Corpo que a musa veste,
E que por mais poder lhe empreste,
Não o deixa ir muito além!

Por isso tem bem assente
Que não és presente, nem ausente
Que não chegaste, ou partiste!
Que não és viva nem morreste,
Nem julgues que em mim viveste,
Porque tu, nunca exististe!

Neste presente recado,
Não há ausente guardado,
Nem os dois em combinação!
Há apenas o constatar
Que só tiveste lugar,
Na minha imaginação!

Neste tema de “ausência”
Utilizei a prudência
Que o tema me mereceu!
Veste de musa à vontade,
Mas noutra realidade!
Nesta! O poeta sou eu!

A. Bastos (Júnior)

DAISI - Prosas do Tema = Ausência




Daisi Oliveira de Souza
Quero colo




Quero colo, 

Feito criança em total dependência
De amor e cuidados
Não suporto tua ausência.
Meu olhar inquieto busca...
Algo para me fixar... nada...
Gosto do que vejo, mas não os desejo...
O vazio tomou conta dos meus sentidos,
Uma busca desvalida, não encontro o centro
Sem a tua presença perco o equilíbrio.
Tenho sofrido, nem cor, nem brilho,
Estou no exílio da paixão, sem emoção.
Entrastes em minha vida feito um ladrão
Levando contigo o meu coração.

(Daisi Oliveira de Souza)
1º abril/2012


Tua Ausência


Jose Carlos Ribeiro



Tua ausência!
A distancia nos separa...
Nossos caminhos não mais se cruzam...
Não posso ter teu amor...
Porque tanta ausência...
Para tão pouca presença...

Tua ausência!
Porque viver de incertezas...
Quando o que mais desejo é tuas certezas...
Não quero viver de saudades e lembranças...
Do que um dia vivemos...

Tua ausência!
Porque tanto amor...
Se não te tenho para amar...
Viver só é triste...
A noite chega e tu não vens...
Sem tua presença a vida não tem sentido...

Tua ausência!
A tristeza é tanta...
A solidão aumenta...
E então eu choro...
Choro...
Por não te ter...
Por não poder te amar...

Vania Staggemeier

FERNANDO - Prosas do Tema = Ausência




Fernando Martinho





"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."
Fernando Pessoa

ANGELA - Prosas do Tema = Ausência


Angela Mendes
ESPAÇO VAZIO




Solitária, na penumbra do quarto

fito os lençóis 
com vestígios do nosso amor...
Ainda sinto na pele 
as tuas carícias,
ouço teus sussurros 
nos meus ouvidos,
sinto ainda teu cheiro.
E o vento lá fora
uiva tristemente
lastimando tua partida 
E minh'alma grita:
Volte! volte!
Há um vazio tão grande
fazendo eco em meu coração
torturando as feridas expostas
fazendo-as sangrar...
Olho para dentro de mim
não te vejo, partiste...
O gosto doce do teu beijo
ainda acende meu desejo
e a saudade me tortura
e preenche o espaço vazio...
Ângela Mendes

FERNANDO - Prosas do Tema = Ausência




Fernando Martinho
Tarde demais...




Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...

Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!

Beijando a areia de oiro dos desertos
Procurara-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

E há cem anos que eu era nova e linda!...
E a minha boca morta grita ainda:
Por que chegaste tarde, ó meu Amor?!.
Florbela Espanca

Desejos



Jose Carlos Ribeiro



Que posso desejar para hoje ?
Que as verdadeiras amizades continuem.
Que as lágrimas sejam poucas, e compartilhadas.
Que as alegrias estejam sempre presentes 
e sejam festejadas por todos.
Que o carinho esteja presente em um simples olá,
ou em qualquer outra frase,
mesmo que digitada rapidamente.
Que os corações estejam sempre abertos
para novas amizades, novos amores,
novas conquistas.
Que Deus esteja sempre com sua mão estendida 
apontando o caminho correto.
Que as coisas pequenas como a inveja 
ou desamor, sejam retiradas de nossa vida.
Que aquele que necessite de ajuda 
encontre sempre em nós,
uma animadora palavra amiga.
Que a verdade sempre esteja acima de tudo.
Que o perdão e a compreensão superem as amarguras e as desavenças.
Que este nosso pequeno mundo virtual seja cada vez mais humano.
Que tudo que sonhamos se transforme em realidade.
Que o amor pelo próximo seja nossa meta absoluta.
Que nossa jornada de hoje esteja repleta de flores.
Que a Felicidade momentânea da Vingança , 
ceda espaço para a Felicidade eterna do Perdão.

Fênix Faustine

ANGELA - Prosas do Tema = Ausência


Angela Mendes
A ÚLTIMA VIAGEM




Vou por aí, numa viagem
buscar o tempo perdido
reaver sonhos inacabados
tentar parar o vento
criar um doce momento
inda que seja o último...
Vou por aí sem hora marcada
sem estação de chegada
sem pressa, sem correria
pra ver a vida de perto
saber a cor dos seus olhos
que eu nunca vi...
Os olhos da vida
sempre me mostraram
o que eu precisava 
nunca duvidei dessa visão
será que foi perfeita
teria ela se enganado
ao ver meu coração?!
Vou por aí, procurando razões
que ficaram esquecidas
entre uma e outra vida
sem que eu saiba porque.
Vou tentar entender
esse vazio imenso
que toma conta do que eu penso
quando eu penso em você.
Se as imagens passarem muito depressa
pela janela, e eu não puder ver
Se de repente eu chegar, 
antes da hora, a algum lugar
deixo este poema, para você saber
que não foi em vão a minha procura
mesmo se apesar de tudo
eu não lhe encontrar
não merecer a ventura.


de Tere Penhabe 

Vou Chegar Lá


Josemir Tadeu Souza


Hoje eu poderia quase afirmar,
que meus intentos
enfrentaram rumorosos adventos
de tentar destruir...

Hoje até posso parar
e meio que descansar
à sombra dos meus
próprios segredos.
Já não tremo mais
de medo...
já não me faço
um casulo asfixiado em degredo.

Hoje eu poderia com certeza olhar-me.
Frente a frente, sem receios...
sem ter que calar meus anseios...

Hoje, sei lá,
mesmo que ainda
me faltem todos os degraus,
eu me sinto inserido
e já integrado, ao processo
de ter iniciado meu eterno caminhar...
vou chegar lá...

josemir(aolongo...)

SALETE - Prosas do Tema = Ausência



Maria Salete Ariozi
Ruínas



Se é sempre Outono o rir das Primaveras, 
Castelos, um a um, deixa-os cair... 
Que a vida é um constante derruir 
De palácios do Reino das Quimeras! 

E deixa sobre as ruínas crescer heras, 
Deixa-as beijar as pedras e florir! 
Que a vida é um contínuo destruir 
De palácios do Reino das Quimeras! 

Deixa tombar meus rútilos castelos! 
Tenho ainda mais sonhos para erguê-los 
Mais alto do que as águias pelo ar! 

Sonhos que tombam! Derrocada louca! 
São como os beijos duma linda boca! 
Sonhos!... Deixa-os tombar... Deixa-os tombar. 

Florbela Espanca, 
in "Livro de Sóror Saudade"

SALETE - Prosas do Tema = Ausência


Maria Salete Ariozi
Ausência





Na almofada branca,
as sandálias sonham
com a seda dos teus pés…

Partiste..
Mas a alegria ainda ficou no quarto,
talvez no ninho morno, calcado por teu corpo
no leito desfeito…

Entardece…
Esfuziante e verde,
um beija-flor entrou pela janela,
(pensei que a tua boca ainda estivesse aqui…)

Do frasco aberto,
vestidas de vespas,
voam violetas…

E na almofada de seda,
beijo as sandálias brancas.
vazias dos teus pés.

João Guimarães Rosa

Tortura




Fernando Martinho





Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
– E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento! ...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
– E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento ...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
Florbela Espanca

Ausência




Fernando Martinho




Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

FERNANDO - Prosas do Tema = Ausência




Fernando Martinho
Ausência





Lúgubre solidão! Ó noite triste!
Como sinto que falta a tua Imagem
A tudo quanto para mim existe!

Tua bem dita e efémera passagem
No mundo, deu ao mundo em que viveste,
Á nossa boa e maternal Paisagem,

Um espírito novo mais celeste;
Nova Forma a abraçou e nova Cor
Beijou, sorrindo, o seu perfil agreste!

E ei-la agora tão triste e sem ver dor!
Depois da tua morte, regressou
Ao seu velhinho estado anterior.

E esta saudosa casa, onde brilhou
Tua voz num instante sempre terno,
Em negra, intima noite se ocultou.

Quando chego á janela, vejo o inverno;
E, á luz da lua, as sombras do arvoredo
Lembram as sombras pálidas do Inferno.

Dos recantos escuros, em segredo,
Nascem Visões saudosas, diluídos
Traços da tua Imagem, arremedo

Que a Sombra faz, em gestos doloridos,
Do teu Vulto de sol a amanhecer...
A Sombra quer mostrar-se aos meus sentidos...

Mas eu que vejo? A luz escurecer;
O imperfeito, o indeciso que, em nós, deixa
A amargura de olhar e de não ver...

A voz da minha dor, da minha queixa,
Em vão, por ti, na fria noite clama!
Dir-se-á que o céu e a terra, tudo fecha

Os ouvidos de pedra! Mas quem ama,
Embora no silencio mais profundo,
Grita por seu amor: é voz de chama!

E eu grito! E encontro apenas sobre o mundo,
Para onde quer que eu olhe, aqui, além,
A tua Ausência trágica! E no fundo

De mim próprio que vejo? Acaso alguém?
Só vejo a tua Ausência, a Desventura
Que fez da noite a imagem de tua Mãe!

A tua Ausência é tudo o que murmura,
E mostra a face triste á luz da aurora,
E se espraia na terra em sombra escura...

Quem traz o outono ao meu jardim agora?
Quem muda em cinza o fogo do meu lar?
E quem soluça em mim? Quem é que chora?

É a tua Ausência, Amor, que vem turbar
Esta alegria etérea, nuvem, asa
De Anjo que, ás vezes, passa em nosso olhar!

O Sol é a tua Ausência que se abrasa,
A Lua é tua Ausência enfraquecida...
Da tua Ausência é feita a minha vida
E os meus versos também e a minha casa.

Teixeira de Pascoais,
 in 'Elegias'

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