Aníbal Bastos

O teu coração é uma pedra,
Onde não nasce nem medra,
Um sentimento a valer!
Manténs-te alheia e ausente,
Ao futuro a ao presente
E assim finges viver!
Vives num mundo inventado,
Somente para ti criado,
Imagem da tua crença;
De tal forma concebido
E o teu pensar repelido,
Por alguém que por ti pensa!
Acorda da letargia,
Faz nascer um novo dia
Que tenha luz e sentido!
Não deixes que a amargura,
Te conduza à sepultura,
Sem nunca teres vivido!
Não acredites que a sina,
Imposta por quem domina,
Foi traçada pelo Além!
Ninguém nasce com a sorte,
De viver até à morte,
A ser escravo de alguém!
Nem julgues que o tempo passa
E ao passar leva e desgraça
Que pelo homem foi criada!
Tal como a erva ruim,
Que nos cresce no jardim,
Tem de lá ser arrancada!
Que a pedra se desfaça,
O no teu coração nasça,
Uma força; um querer!
Que grite alto e bem forte:
-Viver assim é morte!
E eu nasci para viver!
A. Bastos (Júnior)
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